A última carta de Nikola Tesla à sua mãe

Postado em 20/06/2020 por Gleydson Fernandes

História

A seguir, a tradução da última carta que Nikola Tesla escreveu à sua mãe, Đuka Tesla. Apesar de não ter sido datado o ano da escrita, os fatos escritos sugerem a que ela foi escrita em 1892, quando Nikola tinha 36 anos.

Quarta-feira, 18 de Novembro…

Minha querida mãe, eu me sinto triste e aborrecido quando eu penso em você. Eu não sei como, mas sinto que você não está bem. Eu gostaria de estar ao seu lado agora mãe, para lhe trazer um copo de água. Todos esses anos de meu serviço à humanidade não me trouxeram nada mais que insultos e humilhações. Essa manhã eu acordei mais cedo, antes de amanhecer, porque eu ouvi algo que venho ouvindo em meus sonhos já há algum tempo. Eu ouvi essa voz que cantou uma bela canção, lamento ou mesmo uma oração Moura. Quando eu recobrei meus sentidos, notei que essa voz vinha de todos os lugares e foi impossível determinar se era interna. Eu tenho medo de enlouquecer. Não posso confidenciar isso ao Dr. Lionel porque eu não confio mais nele. Ouvi que ele visitou o Sr. Edson duas semanas atrás…

Novamente penso em você, mãe, e novamente sinto a mesma inquietação e tristeza. Irei escrever para o escritório de patentes para acelerar a realização do meu experimento público em uma semana. Eu tenho que voltar para casa, para a minha terra natal, para Você. Eu sei agora com certeza que você não está bem porque novamente ouvi aquela voz de lamentação, mas desta vez eu estava totalmente acordado. Eu ainda não perdi meu juízo.

Não escrevi ao escritório de patentes, um dos agentes veio e contei a ele sobre minhas intenções pessoalmente. Ele disse que sentia muito, mas as datas não poderiam ser mudadas porque todos os congressistas já haviam já as haviam determinado. Eu desci para as cachoeiras e disse para os rapazes prepararem as turbinas e esperarem pelo meu chamado amanhã.

Decidi proporcionar à humanidade com o presente que merece e retornar para a Europa, para Você, Mãe. Governos aqui são os mesmos que em casa. Eu descobri agora, no final, que a humanidade depende dos governos e o individuo não pode mudar o mundo por si mesmo. Mas aquela voz estranha ainda me incomoda. Eu sei que isso está conectado a você, meu experimento, com algo transcendental…

Querida mãe, eu deixo a Iugoslávia amanhã. A senhorita Nora foi para o Porto e me comprou uma passagem para Lisboa. Daqui eu vou de trem para Zurique e então direto para casa. Vai me levar aproximadamente dez dias, não mais que duas semanas, para estar em casa.

Hoje eu entrei no prédio do congresso e no meio da sessão pedi por um minuto do tempo deles. Eles não ficaram muito contentes com isso, mas me deram o tempo. Pedi o telefone para ligar para o laboratório nas cachoeiras do Niagra. Os rapazes lá ligaram as turbinas e o salão do congresso foi iluminado com o meu poder, dez vezes mais forte que o normal, como prometi. Não me importei com a reação deles, de qualquer forma. Instantaneamente deixei o salão, porque não fiz isso por eles, mas pela humanidade. Naquele exato momento, quando estava olhando a lâmpada iluminar com a “minha” eletricidade sem fio, eu percebi que não era o criador de tudo isso.

Eu senti que alguém ou algo estava trazendo das cachoeiras do Niagra ao congresso e que a lei que eu pensei que havia “inventado” na verdade sempre existiu. Fui apenas o vaso abençoado com inspiração para formular e explicar à humanidade. Em vez de triunfo e felicidade, emergiu uma tristeza vazia. Eu percebi que perdi algo grande na minha vida. Como se eu tivesse deixado algo não reconhecido completamente. Alguma formula estava ao alcance do meu entendimento e eu falhei ou não quis clarificá-la. Isso tem que estar conectado com o lamento mouro, eu estou certo disso agora…

Essa carta nunca chegará a você, Mãe. Não sei porque escrevo isso você quando você não pode ler… descanse em paz mãe e por favor me perdoe por escolher caminhos que me levou para longe de você. Eu não posso até mesmo estar lá para o seu funeral. I li o telegrama que me informou da sua morte e desprezar pessoas e desprezo as pessoas que não estavam prontas dois anos atrás para entender que a eletricidade pode ser transmitida sem fios. Agora, eles perceberam mas não vão utilizar por séculos porque alguém queimou meu laboratório no centro da cidade, com todas as minhas fórmulas e escritas. Eles suspeitam do Sr. Edison. Eu me tornei tão diferente, não posso me reconhecer. Talvez eu ficaria triste antes, mas não mais porque agora estou certo de que alguém está mantendo as “minhas” patentes sob controle, que “minha” descoberta não é minha e finalmente, que a humanidades não está pronta para isso. Eu sei que alguém está supervisionando tudo e tem um plano próprio, e é provavelmente por isso que sou indiferente.

Meu navio para Lisboa sai às 11 em ponto. O carro está esperando lá fora.

Irei colocar esta carta no seu túmulo, quando eu chegar ao cemitério da nossa aldeia. Acredito em algo que nunca acreditei. Acredito que ainda sou uma parte de você, e que a minha vida não chegou ao fim por bem. Eu me sinto triste por evitar turcos porque eles cantam lamentos similares ao que ouvi antes de amanhecer. Agora acredito que eles sabem sobre essas coisas muito mais do que eu já soube.

Todos esses anos gastos na ciência foram em vão. Por favor mãe, ore por mim se puder, cante o lamento mouro para a alma perdida do seu pobre filho ignorante…

Minha mãe, me perdoe por tirar meus caminhos de ti, então eu não poder ir ao funeral. Ore aí, por mim, mãe, if you can.

Essa é a última carta do famoso cientista sérvio Nikola Tesla para sua mãe, Djuka.

Fonte: A mathematician’s Journey to the Edge of the Universe.

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