Criptomoedas

Postado em 11/10/2018 por Gleydson Fernandes

Tecnologia

*Este artigo não é uma indicação de investimentos. A Fundação Lagrange não é uma plataforma sobre investimentos, mas sim uma plataforma de estudos que procura transmitir informação aos seus leitores sobre os avanços científicos e tecnológicos que alteram a condição do homem na sociedade. Neste artigo procuramos apenas introduzir o conceito de criptomoedas, e as tecnologia utilizadas nesses sistemas serão melhores discutidas posteriormente em outros textos.

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Em 31 de outubro de 2008 foi publicado um artigo de autoria de Satoshi Nakamoto explicando o funcionamento de uma moeda digital criptografada. O artigo foi divulgado em uma lista de e-mails de criptógrafos e o autor do paper deixou a comunidade depois de ver suas ideias implementadas. Até hoje ninguém sabe ao certo quem é Satoshi Nakamoto, e o uso do artigo “o” é feito aqui apenas por convenção, pois nem mesmo podemos ter certeza se Satoshi Nakamoto é homem ou mulher, um indivíduo ou um grupo.

O que poucos sabem também é que a ideia de moedas digitais é muito mais antiga, e que o primeiro artigo a introduzir essa noção foi escrito em máquina de escrever e publicado em 1983 pelo físico Stephen Wiesner. O mais interessante sobre isso é que o artigo de Wiesner vem sobre uma perspectiva quântica – um problema bastante discutido entre participantes de fóruns sobre moedas digitais hoje em dia e para o qual poucos sabem que já existem soluções teóricas com protocolos quânticos de criptografia; ou seja, mesmo sem computadores quânticos implementados e tentando invadir redes de criptomoedas, possuímos e continuamos a desenvolver soluções teóricas para esse grande problema que ainda não existe.

Mas voltando ao artigo do bitcoin, que pode ser lido aqui (o texto traduzido para o português também é facilmente encontrado na internet), Nakamoto se mostra inicialmente preocupado com questões sobre o comércio eletrônico e com a intermediação em processos de pagamento, uma vez que contratos diretos entre duas partes necessitam da confiança mútua entre os envolvidos para ocorrer. Essa terceira pessoa envolvida, que podem ser operadoras de cartões de crédito ou seguradoras, aumentam o custo do processo e inviabilizam pequenas transações – um preço a ser pago pela segurança entre as duas partes.

Com uma terceira pessoa envolvida também é difícil evitar extornos, e o protocolo do bitcoin vem resolver esses problemas, criando uma rede de pagamento segura, sem necessidade de confiança entre as partes e que impossibilita o extorno sem o gasto de um poder computacional tão grande que devido aos custos desmotiva totalmente a tentativa. Ou seja, o bitcoin foi uma solução proposta para que duas pessoas enviem qualquer quantia em dinheiro uma à outra sem a possibilidade de reversão ou gasto duplo. Assim, mais do que uma moeda, ele foi proposto como um sistema seguro de pagamentos.

A ideia do autor foi criar um sistema de blocos. Em cada um desses blocos estariam contidas uma quantidade de transações a serem confirmadas por uma rede de computadores. Cada bloco estaria ligado a um outro, formando uma corrente. Para reverter cada transação seria então necessário realizar a mesma prova de trabalho que o computador fez para confirmar não apenas o bloco onde está a transação, mas também os subsequentes. Ao confirmar um bloco, a máquina que realizou a prova de trabalho necessária é recompensada, gerando demanda para essa atividade, descentralizando a responsabilidade sobre a confirmação das transações e colocando mais moedas em circulação. Como a quantidade de moedas a serem geradas possui um limite máximo que não pode ser ultrapassado, após todas as moedas entrarem em circulação o incentivo estaria extinto. Assim, um sistema de taxas também foi implementado para garantir que ainda exista motivação para o trabalho de confirmação de transações.

Entretanto, passado algum tempo depois da ocorrência do bloco gênesis do bitcoin (o bloco que deu início à rede), várias outras moedas apareceram, com várias propostas diferentes que vão desde o uso da tecnologia blockchain para a criação de contratos inteligentes (como é a proposta da Ethereum) até a se fazer transações rápidas, de forma anônima e irrastreável (como a Verge) e a se fazer moedas sem taxas de transação, onde cada carteira possui sua própria blockchain (como a Nano).

Apesar de muitos considerarem oportunismo a criação de outras moedas a partir do conceito do bitcoin, várias dessas moedas surgiram a partir de falhas do bitcoin, como por exemplo o congestionamento da rede e as altas taxas de transação quando o número de transações esteve em sua alta histórica, assim como o enorme uso de energia elétrica utilizado para a confirmação dos blocos.

Mas esses problemas com o bitcoin mostrou aos desenvolvedores a necessidade de aprimorar o código, e isso gerou algumas bifurcações na rede, criando outras moedas a partir do bitcoin. Foi implementado também o lightning network, que possibilita transações fora da blockchain sem perder a segurança garantida por ela e que também reduziu o tempo das transações – apesar de ser acusada de possibilitar um domínio da rede por instituições bancárias, extinguindo a vantagem da rede de não necessitar de um intermediário de transações.

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