Em defesa dos computadores

Postado em 03/05/2018 por Gleydson Fernandes

Métodos computacionais

Antes de mais nada eu gostaria de dizer que não, eu não vou defender aqui o início da era das máquinas ou qualquer cenário fictício onde as máquinas dominam a humanidade. Meu objetivo neste momento é um pouco mais nobre, ao menos do ponto de vista dos seres humanos, e tudo o que eu quero é defender a continuidade da submissão dos computadores à humanidade. Quero defender as máquinas inteligentes o suficiente para fazerem sem erros tudo aquilo o que nós humanos não conseguimos em nosso curto tempo de vida, mas que não são inteligentes o suficiente para adquirirem uma noção de autoexistência e nos varrerem da face do planeta.

O fato é, e minha experiência tem mostrado, que computadores são desprezados; repudiados por diversos cientistas e, em especial, alguns físicos e estudantes de física.

Um grande físico brasileiro, o professor César Lattes por exemplo, disse em entrevista: “O computador trouxe uma certa preguiça intelectual para alguns cientistas. Pensa-se menos hoje em dia. Eu chegaria a dizer que alguns cientistas nem sequer pensam. Ficam dependentes do computador e deixam de lado a criatividade.” Não que o professor esteja errado também, pois em boa parte não está. A palavra alguns o salva de cometer uma grande injustiça.

Mas que fique claro: eu não quero defender os humanos, eu quero defender os computadores! Eu quero defender o uso racional de computadores por seres racionais. E por que culpá-los pela preguiça intelectual de pessoas adultas e responsáveis pelos próprios atos?

Acontece que hoje a ciência chegou em um patamar onde é praticamente impossível resolver alguns problemas ao velho modo papel e caneta. Mesmo os melhores computadores demoram horas, e em alguns casos dias para resolver certos problemas que em geral seres humanos levariam algumas centenas de anos para resolver, correndo o risco de ao final encontrar um erro e ter de refazer todas as contas, o que de longe não seria algo muito inteligente. Além disso, as simulações computacionais são uma forma excelente – em casos específicos talvez a única – de se visualizar alguns fenômenos da natureza. Os computadores também nos permitem emular a natureza e testar os nosso métodos de resolução de problemas antes de o fazermos no mundo real, o que reduz o tempo gasto com tentativas desastrosas.

Assim, vários cientistas hoje em dia utilizam métodos computacionais, e cabe a eles não somente saber como resolver seus problemas, mas também como fornecer esses métodos de resolução da melhor maneira à máquina – para que ela execute as ordens dadas no menor tempo possível –, além de saber interpretar os dados fornecidos por ela.

Então, por enquanto, podemos confiar nos computadores. Eles não parecem muito interessados em destruir a humanidade e, ao contrário, nos ajudam bastante e nem mesmo nos cobram por isso!

Por fim, feitas todas essas considerações, gostaria de pedir a você, seja cientista ou não, que tenha mais carinho pelos computadores. Afinal, eles fazem sempre o possível para te ajudar a resolver seus problemas – só não caia na comodidade para não correr o risco de deixar de ser um ser pensante e criativo. Caso aconteça, lembre-se que culpa é sua e não deles!

Até a próxima!

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